Reflexos preliminares da Escalada do Conflito no Oriente Médio no Agronegócio de Santa Catarina

Autores

  • Roberth Andres Villazon Montalvan Epagri/ Cepa
  • Luiz Toresan Epagri/ Cepa

Palavras-chave:

Conflito oriente médio, Exportações Agro Catarinense, conjuntura

Resumo

Este documento sintetiza a análise de conjuntura sobre os reflexos da atual crise geopolítica do Oriente Médio no agronegócio de Santa Catarina. A escalada das tensões internacionais no início de 2026, marcada por bombardeios territoriais e instabilidade no Estreito de Ormuz, impõe um cenário de alerta para as cadeias produtivas catarinenses.

A inserção do estado no comércio internacional é expressiva, tendo o agronegócio catarinense faturado US$ 7,94 bilhões em 2025. Deste montante, cerca de US$ 915 milhões foram destinados à zona em conflito, evidenciando a forte relevância da região para o escoamento dos produtos estaduais. Os principais parceiros comerciais afetados incluem Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos e Irã, com destaque para a exportação de carne de frango, madeira, milho e soja.

A interrupção das rotas marítimas gera um efeito cascata imediato na infraestrutura logística do estado. O redirecionamento de embarcações e a consequente quebra no reposicionamento de contêineres refrigerados ameaçam o fluxo físico das exportações, elevando drasticamente os custos com frete marítimo e prêmios de seguro. Em paralelo, há o risco de saturação da capacidade de armazenagem nos complexos portuários catarinenses e nas próprias agroindústrias.

O impacto estende-se também às importações: o agronegócio catarinense depende de fertilizantes e ureia provenientes de países como os do Oriente Médio. Os bloqueios logísticos ameaçam encarecer os custos de produção da próxima safra, o que, somado à alta do petróleo, comprime as margens de lucro dos produtores. 

Diante deste cenário de incertezas, recomenda-se ao setor produtivo a adoção de ações mitigatórias imediatas. Orienta-se a revisão de contratos logísticos e de seguro (cláusulas de risco de guerra), o monitoramento rigoroso de crédito em operações internacionais e a diversificação emergencial de fornecedores de insumos. Por fim, a manutenção do rigor sanitário permanece como o principal ativo catarinense para garantir a competitividade e o acesso a mercados alternativos menos voláteis.

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Publicado

2026-03-25

Como Citar

Reflexos preliminares da Escalada do Conflito no Oriente Médio no Agronegócio de Santa Catarina. (2026). Nota Técnica , 2. https://publicacoes.epagri.sc.gov.br/nt/article/view/2422