Os produtos da agricultura catarinense e a comercialização na pandemia

hortifrútis no mercado atacadista

Autores

  • Rogério Goulart Junior Epagri/Cepa

Palavras-chave:

Economia Agrícola, Comercialização, Socioeconomia, Hortifrútis, Mercado atacadista, Santa Catarina

Resumo

Com o início da pandemia as centrais de abastecimento cumpriram um papel estratégico na manutenção do suprimento e da segurança alimentar das regiões urbanas estaduais com a garantia de regras de procedimentos sanitários para a comercialização nos entrepostos e protocolos a serem seguidos no suprimento e na distribuição dos produtos. No novo contexto trazido pela crise sanitária e econômica nacional e mundial, surge a necessidade garantir a segurança alimentar e nutricional com produtos como os hortifrútis com apelo ao fortalecimento da imunidade e hábitos mais saudáveis. A produção catarinense de hortifrútis é bastante diversificada, o que contribui para um melhor dinamismo desse setor para o abastecimento das principais regiões metropolitanas, com reflexo na economia e na segurança alimentar e nutricional dessas regiões. Com informações obtidas do Sistema de Informações (SISCOM) do PROHORT/CONAB, foram selecionados dados para o período de 2016 e 2020 referentes ao volume mensal comercializado e preços médios dos principais hortifrútis de origem catarinense negociados em centrais de abastecimento do país. Para as análises foram agrupados os principais produtos em quatro subgrupos com maior participação de hortifrútis catarinenses comercializados: frutas; folhosas, flores e hastes; raízes, bulbos e tubérculos; e frutos. A análise realizada com dados dos últimos cinco anos mostra que em 2020 houve uma redução no volume comercializado abaixo do esperado para o período conforme tendência observada nos anos anteriores. No comportamento dos produtos de origem catarinense, comercializados nas diversas centrais de abastecimento de todo o país, a redução no volume negociado e entraves logísticos na distribuição são os principais fatores ocorridos nos primeiros meses de pandemia nas principais regiões consumidoras. Para o volume comercializado nas centrais de abastecimento houve redução em todos os quatro grupos analisados, com alterações na evolução de oferta sazonal nos subgrupos das frutas e folhosas, flores e hastes. Os valores negociados dos hortifrútis catarinenses, nos entrepostos, representaram a relação de menores volumes comercializados com preços médios direcionados a diferentes tipos compradores com distinção entre cotações valorizadas em mercados nacionais e escalonamento dos preços em mercados regionais conforme o período com maior demanda relativa dos produtos. Enfim, em grande parte do tempo os produtos negociados nos entrepostos conseguiram manter o suprimento mínimo das principais regiões metropolitanas consumidoras brasileiras com garantia da segurança alimentar e nutricional da população junto a outros canais de comercialização de hortifrútis.

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Publicado

2021-04-29

Como Citar

Goulart Junior, R. (2021). Os produtos da agricultura catarinense e a comercialização na pandemia: hortifrútis no mercado atacadista. Agropecuária Catarinense, 34(1), 7-11. Recuperado de https://publicacoes.epagri.sc.gov.br/RAC/article/view/1131

Edição

Seção

Conjuntura